
Membros da Comissão Estadual de Erradicação dos Acidentes com
Escalpelamento estiveram reunidos durante toda a manhã desta
sexta-feira, 26, para chamar a atenção do público para o Dia Nacional de
Combate e Prevenção aos Acidentes com Escalpelamento, lembrado neste
domingo, 28. Vítimas de acidente com eixo de motores e acadêmicos
colaboradores também atuaram na mobilização, que esteve concentrada em
duas barracas montadas na praça Dom Pedro II, na Cidade Velha, centro
histórico de Belém.
Nelas, o público pode conferir o
artesanato confeccionado pelas meninas e mulheres atendidas no Espaço
Acolher, mantido pela Fundação Santa Casa Misericórdia do Pará, e os
calendários feitos pelas vítimas atendidas pela ONG dos Ribeirinhos
Vitima de Acidente de Motor (Orvam), a mais recente integrante da
Comissão. "Foi a forma que encontramos para atrair a atenção da
população para que esse acidente deixe de acontecer na nossa região. O
melhor de tudo é que as vítimas também se colocaram à disposição para
dar depoimentos e alertas para que isso não venha ocorrer com outras
meninas e mulheres", explica Socorro Silva, coordenadora de Educação em
Saúde e Mobilização Social, da Secretaria de Estado de Saúde Pública
(Sespa).
As demais representações de órgãos que compõem a
Comissão Estadual de Erradicação dos Acidentes com Escalpelamento, como a
Capitania dos Portos, da Marinha do Brasil, distribuíram panfletos com
informações necessárias para que a população denuncie embarcações
irregulares que ainda navegam com o eixo do motor descoberto. “Aqui,
como outros membros da comissão, realizamos um trabalho de prevenção e
de orientação, voltado principalmente aos ribeirinhos que utilizam as
embarcações como meio exclusivo de transporte. Uma tentativa de conter
esses acidentes”, ressalta o primeiro tenente Marco Antonio Araújo
Costa.
Moradora da zona rural de Bagre, munícipio da região
do Marajó, a dona de casa Maria Raimunda Teixeira está em tratamento na
Santa Casa, em Belém. Usa turbante porque perdeu os cabelos, que ficaram
enroscados no eixo do motor do barco. Só lembra que isso aconteceu há
26 anos, ainda na adolescência. "Foi um descuido porque me abaixei pra
pegar alguma coisa no piso do barco e dias depois já tava em Belém sendo
atendida na Santa Casa, onde recebo assistência até hoje", relembra.
Já a tragédia com a agricultora Júlia Pinto aconteceu há apenas oito
meses e, devido ao pronto atendimento recebido no município e
encaminhamento imediato à Santa Casa, já consegue falar sobre o trauma.
"Tinha um remo nas mãos e escorreguei nele. Na queda o eixo pegou meu
cabelo", lembra a moradora da zona rural de Portel, também da Ilha do
Marajó, região que historicamente concentra o maior número de vítimas de
acidente com escalpelamento.
A programação em torno do Dia
Nacional de Combate e Prevenção aos Acidentes com Escalpelamento
prossegue durante a tarde, das 15 às 17 horas, no auditório da Fundação
Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho
(Fundacentro), em Belém, com a exibição do documentário "Escalpelamento:
o dia seguinte", resultado do trabalho de conclusão de curso de
jornalismo dos estudantes Aline Souza Santos e Edson Luiz dos Anjos, do
Centro Universitário Sant'Anna (UniSant'Anna), de Salto, interior de São
Paulo.
O escalpelamento acontece por conta da falta de
segurança nas embarcações. O eixo que transfere a força do motor à
hélice passa pelo meio da embarcação e, em várias delas, ele fica
exposto, sem nenhum tipo de proteção, girando a uma velocidade de 2.500
rotações por minuto. Os cabelos compridos de meninas e mulheres
enrolam-se no eixo e podem arrancar o couro cabeludo, orelhas e parte da
pele do rosto. Embora menos comuns, há registros de casos relatados por
homens e meninos que sofreram mutilações nas genitálias. Algumas
ocorrências acabam em morte.
O Dia Nacional de Combate e
Prevenção aos Acidentes com Escalpelamento exerce maior apelo na região
Amazônica, que registra em média 80% das ocorrências. As estatísticas no
Pará revelam que somente este ano já foram quatro os acidentes deste
tipo, ocorridos em Portel, Curralinho, Barcarena e Oriximiná. Em 2009 as
ocorrências chegaram a 20, caindo para cinco em 2010. Apesar dessa
redução, o Estado e demais entidades que atuam no combate ao problema
trabalham intensivamente para eliminar de uma vez por toda essa prática,
ainda comum entre alguns condutores de barcos, de navegar sem a
proteção do eixo dos motores. Nos últimos 29 anos, a perda parcial ou
total do couro cabeludo provocada pela sucção do eixo dos motores -
ocorrida por conta da ausência de proteção desse equipamento - já
vitimou 250 pessoas.
Prefeitos e secretários municipais de Saúde do Marajó estiveram
reunidos no último dia 29 de agosto com o secretário de Estado de Saúde
Pública, Helio Franco, para apresentar uma pauta de reivindicações. Eles
vieram apoiados pela Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó
(AMAM), que tem como presidente o prefeito de Portel, Pedro Barbosa.
Uma das reivindicações é a ampliação dos procedimentos no Hospital
Regional do Marajó, no município de Breves.
Segundo
a secretária municipal de Saúde de Breves, Jucineide Barbosa, a
implantação do HRM, criou na população a expectativa de que todos os
casos de média e alta complexidade seriam resolvidas lá, “mas muitos
ainda estão vindo para Belém”, informou, reconhecendo, no entanto, que
houve um avanço significativo, já que o Hospital disponibiliza
atendimento em ortopedia, cirurgia, obstetrícia e cardiologia, por
exemplo.
Helio Franco adiantou que os
cardiologistas do Hospital Regional receberão treinamento para atender a
pacientes com doença de Chagas em Breves, uma vez que essas pessoas
ainda precisam vir a Belém para fazer o acompanhamento no Hospital de
Clínicas Gaspar Vianna.
Segundo o secretário
estadual de Saúde, “O Marajó é prioridade para nós, com certeza,
queremos que a maior parte dos serviços seja de fato realizado na
própria região”. Ele também informou sobre o levantamento que a Sespa
vai fazer no Hospital de Pronto Socorro Municipal (HPSM) para saber de
onde os pacientes estão vindo, quais as causas e que tipo de tratamento
estão recebendo.
Jucineide falou, ainda, da
necessidade de um serviço de terapia renal substitutiva (hemodiálise) no
Hospital. Sobre isso, Helio Franco explicou que o principal entrave é a
qualidade da água, que tem muito ferro. “Um grupo técnico, inclusive,
está fazendo um estudo para encontrar alternativas para a implantação do
serviço”.
Prefeitos e secretários marajoaras foram
enfáticos em solicitar apoio do governo estadual também para a Atenção
Primária, principalmente no que tange à fixação do médico nos
municípios. Eles pensam numa proposta para “aproveitar melhor o
profissional na região, desde que haja incentivo do Estado”.
Na oportunidade, Helio Franco informou sobre a realização das Oficinas
de Planificação da Atenção Primária, que serão realizadas pela Sespa em
todas as regiões, com apoio do Conselho Nacional de Secretários de Saúde
(Conass).
Outro ponto da pauta foi a situação da
malária, que preocupa tanto autoridades sanitárias quanto a população.
Os gestores querem um trabalho mais integrado com o Estado, unindo as
ações do Nível Central da Sespa, da 7ª e 8ª Regionais de Saúde, e as
secretarias municipais. A secretária de Saúde de Curralinho, Kátia
Polimante, reivindicou que os municípios sejam ouvidos antes das ações
serem realizadas e também antes dos novos serviços serem implantados no
Hospital Regional.
Também participaram da reunião
os prefeitos Pedro Barbosa (Portel), José Antonio Leão (Breves), Márcio
Pamplona (Santa Cruz do Arari), Getúlio de Souza (São Sebastião da Boa
Vista), João Luiz Melo (Soure), Rui Santos (Muaná) e Edson da Silva
Barros (Anajás), David Quaresma (Curralinho), Jaime Barbosa (Cachoeira
do Arari) e Adiel de Souza (Melgaço).
Roberta Vilanova - Ascom/Sespa
Reunião ocorrida na tarde desta sexta feira (2), na Secretaria de
Estado de Pesca e Aquicultura (Sepaq), debateu os rumos da atividade no
Pará. Também foram discutidos o planejamento e ações para o interior do
Estado, como a construção de redes-tanques, estações e geleiras. O
encontro teve a participação do secretário Especial de Desenvolvimento
Econômico e de Incentivo à Produção, Sidney Rosa, e do secretário da
Pesca, Henrique Sawaki.
A atividade pesqueira vai
ter sua estrutura melhorada. O exemplo é a fase final de construção do
Centro de Alevinos de Portel, na ilha do Marajó. Também participou do
encontro o deputado federal Miriquinho Batista, que falou sobre as ações
que vem empreendendo em Brasília, em prol da pesca paraense. Sidney
Rosa pediu mais informações e solicitou nova reunião, “para antes do dia
20". Miriquinho lembrou que existe uma lei de sua autoria, sancionada,
que possibilitará destravar uma série de problemas que hoje vêm
emperrando o desenvolvimento do setor no Estado.